Análise: Mass Effect 2


Se são jogadores como eu, a melhor maneira de um jogo vos colar ao ecrã horas a fio (quase sem intervalos) é ter uma história espectacular e que te coloque por inteiro no papel da personagem principal. É o vosso caso? Então tenho boas noticias, Mass Effect 2 consegue superar tudo o que já foi visto na industria até hoje. Desde os primeiros minutos de jogo que nos sentimos completamente ligados à personagem e ao mundo que a rodeia e garanto que quanto mais horas de jogo tiverem, mais essa ligação cresce.

A sequela do título original da Bioware lançado em 2007, consegue levar-nos a viver uma aventura simplesmente fantástica e que faz concorrência aos melhores filmes de ficção cientifica (e não só). Mas caso o argumento não vos diga nada, continuem a ler e talvez sejam vocês também atraídos para um dos grandes concorrentes a melhor jogo de 2010 (sim eu sei que o ano está a começar). Uma das coisas que a Bioware prometeu foi possibilitar aos fans de Mass Effect, continuarem a aventura com a sua personagem trazendo para os outros títulos da trilogia todas as suas escolhas, classe e aspecto. Felizmente a produtora consegue realmente cumprir com essa promessa, possibilitando a quem jogou ao original, fazer um port da sua personagem para Mass Effect 2. Foi garantido também que aqueles que irão entrar no universo de Mass Effect pela primeira vez não se sentirão prejudicados, o jogo tomará certas escolhas por si só, como por exemplo que parceiro romântico tiveram no jogo original. Mas sem dúvida alguma, o verdadeiro brilho desta sequela é revelado àqueles que fizerem um port das suas personagens, todas as vossas escolhas terão afectado o universo de uma forma ou de outra, até mesmo aquelas que pareciam não ter grande importância acabam por se manifestar de alguma forma em Mass Effect 2. Lembram-se de quando tinham que escolher em salvar ou eliminar Wrex…? Pois.

De sublinhar que a produtora certificou-se que o processo era rápido e simples, levando apenas um minuto ou dois para puderem ver a vossa personagem no ecrã. Como já referi, juntamente com o aspecto da vossa personagem é importado também as vossas escolhas, os vossos créditos, a vossa classe e o nível com que acabaram o primeiro. Mas não pensem que irão começar o jogo com o nível máximo ou com o valor máximo de créditos possível porque acabaram o original em nivel 60 e com uma quantidade infindável de dinheiro (malditas horas que passei a evoluir e a farmar!). Em relação aos créditos, dependendo do valor que tiverem irão receber um bónus no inicio do jogo, no meu caso foram 50000 créditos. No que toca ao nível da personagem acontece o mesmo, por exemplo a minha personagem no original estava em nível 58, por isso comecei Mass Effect 2 em nível 3. Se por acaso quiserem mudar o aspecto ou a classe da vossa personagem, não se preocupem pois a Bioware encontrou uma maneira muito original de vos dar essa oportunidade, que é desvendada logo após a primeira cutscene, mas para não estragar a surpresa não vamos revelar (curiosos? Youtube-it!)

As melhoras em relaçao ao primeiro estão logo à vista desde o momento em que começamos a jogar. Graficamente o jogo melhorou bastante, principalmente para quem irá jogar no PC pois poderão jogar a resoluções maiores que dão uma definição muito superior à que está presente na Xbox360, mas até mesmo na consola o jogo encontra-se muito acima da qualidade do primeiro. Lembram-se dos loads de texturas no cenário? Bem esse foi um dos problemas que a produtora Canadiana quis resolver e conseguiu faze-lo, uma das coisas que ajudaram na resolução foi substituir os tão criticados elevadores movidos a carvão do original por simples ecrãs de loadings, estes estão muito atractivos pois contêm animações que se integram por completo na acção que está decorrendo, por exemplo quando entram na vossa nave ou aterram no planeta, os ecrãs de loading de certa forma indicam o que está acontecendo enquanto não chegam ao vosso destino. Mas não foram só as texturas que levaram um upgrade, em geral está tudo melhorado, desde as cores que estão muito mais vivas em contraste com os tons mais cinzentos do original, os cenários estão muito melhorados com efeitos de luz muito mais bem conseguidos e onde as sombras ganham um aspecto espectacular estando mais destacadas tanto nas personagens como no próprio terreno. Um dos aspectos que me surpreenderam mais foi as animações que dão vida aos cenários, seja hologramas, partículas a flutuar no ar ou até mesmo as estrelas longínquas a brilharem, está tudo um espanto, é comum entrarem numa sala ou chegarem a um planeta e ficarem simplesmente fascinados com a beleza que vos rodeia.

Mas infelizmente também existem aspectos negativos. Por alguma razão encontramos alguns NPCs com texturas de baixa resolução, mas o que mais intriga é a proximidade da câmera em relação ao nosso personagem, não deveriam tê-la posto tão perto. A jogabilidade também foi alvo de remodelações, tanto os combates em si como as classes, estas ultimas foram completamente reconstruídas, tendo agora novas habilidades e bonus especiais. Os combates estão agora muito mais espectaculares e fluidos, aproximando-se muito mais de jogos de acção como Gears of War. É ainda possível dar ordens individuais aos nossos companheiros causando assim uma componente mais táctica aos encontros com os inimigos. De notar também que a I.A. está bem mais exigente colocando-nos muitas vezes em situações bem difíceis, esqueçam os velhos husks que andavam feitos zombies do Resident Evil original, agora irão correr na nossa direcção em grandes números e são muitas as vezes que nos encontramos rodeados deles, além de que é bastante comum ver inimigos a contornar-nos e usarem o terreno em sua vantagem. De notar também que os inimigos em si estão bem mais “resistentes”, aguentando mais dano o que torna os combates mais duradouros e difíceis. Outra mudança feita só para nos dificultar a vida é a existência de munição… limitada. Sim acabaram-se as rajadas de assault rifle sem se preocupar com as balas, agora terão que ser bem mais cuidadosos, e embora não seja muito comum ficarem sem munições, acontece.

Mas uma das coisas que dão mais vida aos combates são as animações nas mortes dos nossos adversários, seja uma cabeça de um robot a explodir ou a parte inferior de um husk a voar com um tiro de shotgun, é sempre um prazer ve-las e as expressões como ouch! ou holy shit! são bastante comuns. Isto proporciona uma jogabilidade bem mais dinâmica e divertida do que no original, onde os combates por vezes eram pouco emocionantes e sem vida. O aspecto da vossa armadura pode agora ser customizado, tanto a nivel de cor como certas partes da armadura podem ser alteradas de maneira a obter diferentes bonus. As armas nesta sequela parecem estar mais reduzidas, embora existam agora armas destrutivas como lança granadas ou até geradores de “buracos negros”, existe a sensação de estar disponível pouca variedade de armamento. Por outro lado, para compensar a pouca variedade temos um sistema de upgrades ao nosso equipamento, que dependendo das nossas preferências podem melhorar apenas uma personagem ou o grupo inteiro.

De destacar também o excelente voice-acting que conta com estrelas do cinema como Martin Sheen, Michael Dorn e Carrie-Anne Moss são só um exemplo da qualidade que vão encontrar. A Bioware quis também aumentar a qualidade do que chama “digital-acting”, tal como em Mass Effect e Dragon Age: Origins isto era um dos aspectos que tornavam a historia ainda mais cinematográfica e davam ao jogadores momentos onde podiam encostar-se à cadeira e apreciar a acção decorrer (ou diálogos). Como não podia deixar de ser, a produtora não quis deixar esta oportunidade de mostrar que podia fazer ainda melhor e felizmente consegue superar-se novamente. Com uma câmera mais dinâmica e momentos bem mais emocionantes e repletos de acção até um simples dialogo torna-se bem mais interessante e imprevisível. É quase impossível falar sobre a história em si sem dar spoilers, mas fica garantido que terão montes de revelações em relação a acontecimentos do original, muitas reviravoltas e momentos que vão simplesmente vos tirar a respiração.

A atenção que prestaram aos erros e momentos aborrecidos do primeiro jogo, permitiu melhorar a formula do jogo e torná-lo ainda mais emocionante. Irão passar metade do tempo em batalhas frenéticas com armamento de poderes psiquicos, imenso tempo a desenvolver a história, e depois alguns momentos aborrecidos a fazer scan a planetas. Sim, o fiel veiculo do Mass Effect 1, o Mako, não marca presença no segundo jogo (pelo menos não até agora, ainda existe imenso DLC planeado), sendo o mesmo substituido por um sistema de Scans. Ao entrarem na orbita de um planeta, é-vos dada a opção para utilizar uma espécie de Sonar e o passar na superficie do planeta, em busca de minerais. Alguma vez irão detectar “anomalias” e apanhar uma transmissão de rádio, que possivelmente irá desbloquear uma missão no planeata onde a detectaram, como eliminar uma base de mercenários, ou até procurar sobreviventes de um acidente. Esta mecânica torna-se aborrecida após algumas horas de jogo, visto a velocidade do scan ser algo lenta (embora existam upgrades disponíveis), mas irão precisar de todos os minerais em que consigam meter as mãos, para fazer upgrades não só ás armas, como á propria nave, e é extremamente importante que a façam a esta ultima.

Existe já algum conteúdo disponível, desde armamento bonús caso tenham comprado o Dragon Age: Origins, a vários conteúdos de pre-order, existindo também conteúdo gratuito. Um dos conteúdos desbloqueia uma missão em que terão de visitar a nave onde Mass Effect 2 inicia a sua história.

Pode ser muito cedo para dizer com certezas, mas não ha dúvida que este jogo irá receber imensos premios, tendo já até no metacritic a melhor pontuação atribuida a um videojogo nos ultimos 3 anos. Comprem este jogo, não há como falhar. São fãs de RPGs? A história está lá. São fãs de acção? Também está lá.

Mais um jogo com qualidade da Bioware, distribuido em Portugal pela Electronic Arts. Podem comprar online através da EA Store ou Steam.



1 Comment

  1. O jogo é excelente, mas a quem quiser jogar este, aconselho a jogarem o primeiro Mass Effect antes, são experiências diferentes, para não falar que no primeiro têm todos os elementos da história :P

    E eu por acaso comecei o jogo com 130.000Creditos, importei o char de lvl59, mas no credits cap, aka 9.999.999